15 Kb de poesia

                    
lembra o quanto nos anulávamos
para nos sentirmos amados!
nossos corpos entrelaçados
não conheciam outras ambições
não possuíam outras causas
não se permitiam outros prazeres
e nos tornando a mistura e a soma
de nós mesmos é que podíamos
emergir das horas
e aprender a capacidade de não-ser.

naquela manhã desarrazoada, tola e menina,
no ato de te perder,
o tempo, invariavelmente perdido,
declarava que ontem
era agora cinza da noite, lembrança
fugaz
imprecisa,
sem destino ou continuidade.
não mais que rascunho,
um detalhe.

que fim se deu em nossa presença
como sentença, definitiva,
a diluir o cor de rosa das línguas
que se lambiam?
Que fim se deu, definitivo?
o fim dos executados sem julgamento
o fim dos desaparecidos
o fim dos indigentes em covas rasas.
que ao libertar do ilusório
desperta o desejo
de que a realidade
seja somente mais um sonho.

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por jardim Postado em Sem categoria Com a tag

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