Mulheres, última parte: A mulher de 45

aos 40 ela já não possui mais o direito de não saber o que quer da vida, de si mesma ou de um homem. aceita o seu corpo do jeito que ele for, mesmo que não lhe agrade. sabe se vestir, se pintar, falar, ou pelo menos deveria saber pois agora qq recurso pode ser uma arma a seu favor na guerra desigual de todos os dias.

a cada dia tem menos os hormônios que brilhavam em seus dias de glória. em compensação menstruaçao e tpm não  incomodam mais nem a ela nem a quem está por perto.  a gravidade vai deixando suas marcas na bunda, nos peitos, o tempo se materializa na pele, no contorno dos olhos,  nas maos. a beleza deixa de ser explícita mas lhe resta ainda a chance de se revelar implícita.

se cultivou o hábito de ser exigente com os homens, passa agora maus pedaços, pois com a idade se torna mais difícil abandonar um hábito e a oferta se reduziu. a crise dos 40 só acontece para umas poucas que não resolveram direito a crise dos 30. de qq forma é um 2º momento de auto-avaliaçao. para as que pretendiam se separar é a última chance. as que permanecem casadas podem dizer que atingiram a maturidade: venceram o desafio de conviver com diferenças e ceder qdo preciso.

nessa fase a mulher sabe que também pode comer e não apenas dar. algumas entram numa de arranjar companheiros mais jovens, numa busca pelo tempo perdido. as mais inteligentes farao vista grossa para as escapulidas do seu efebo (fato inevitável neste tipo de relacionamento), o que nao deixa de ser um preço justo para o prolongamento  do conto de fadas. Sabem que um cara com idade para ser seu filho não tem mesmo a mínima condiçao de ser certinho, nem que ele esteja fortemente determinado a isto. a concorrência e a sede de viver sao muito grandes.

entrar nos “enta” sozinha é complicado: os caras de sua idade estão todos casados e os poucos disponíveis preferem as meninas de 20 ou no máximo 30. numa emergência, porém, ainda há a opção de ser comidinha de caras casados. nesta década de vida se decide: viver o que lhe resta _e viver intensamente e sem culpa_ ou esperar a morte, carcomida pelo tempo e pela memória.

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por jardim Postado em Sem categoria Com a tag

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