a mente de deus

deus é o infinito imponderável, aquilo que não dá para racionalizar. é o infinito inefável, aquilo para o qual não existem definições. stephen hawking disse ,porém, que se chegarmos a uma teoria completa, conheceremos a mente de deus.

há 100 anos para a ciência decifrar todos os mistérios da natureza era só uma questão de tempo. mas dois cataclismas ocorreram: a física quântica e a matemática do caos. ambas mostravam que existe uma imprevisibilidade inevitável espalhada por todo o universo.

a partir das equações da mecânica de newton, dava a impressão de que, conhecendo as leis matemáticas, conseguiríamos descrever todo o universo. nascia o determinismo: conhecendo as condições iniciais de um evento ou sistema, poderíamos prever toda sua evolução futura. aí veio a mecânica quântica revelando que é impossível se conhecer simultaneamente a posição e o movimento de uma partícula. esse é o princípio da incerteza de heisenberg, que derrubou o determinismo, a certeza de que conhecemos tudo e podemos prever o futuro.

foi o princípio da incerteza que fez einstein protestar: “deus não joga dados!”. a imprevisibilidade quântica era demais para sua cabeça. einstein disse: “acredito no deus de spinoza, que se revela na harmonia e na ordem da natureza, não em um deus que se preocupa com os destinos e as ações dos seres humanos”,  citando o filósofo holandês para quem deus e o universo seriam a mesma coisa.

até um ateu convicto como carl sagan aceita a ideia de deus. “se você se referir a um conjunto de leis físicas que rege o universo, então claramente existe um deus. só que é  frustrante: afinal, não faz muito sentido rezar para a lei da gravidade!”

o astrônomo allan sandage foi  ateu e tornou-se religioso diante do desespero de não conseguir responder à pergunta ‘por que existe algo ao invés de nada?’ algumas coisas não fazem sentido : com tantos elementos químicos diferentes, por que os elétrons têm todos a mesma carga e a mesma massa?

o melhor retrato de deus não está nas pinturas de miguelângelo mas nos fractais , imagens geradas por equações matemáticas. essa nova geometria surgiu na década de 60, nos estudos de edward lorenz , criador do efeito borboleta. a ramificação de uma árvore, o clima, a forma que toma uma nuvem, o recorte do litoral, seguem um desenho-padrão, obedecem uma fórmula matemática. o modo como o caos gera ordem parece conspirar a favor da existência de vida que deve ser vista como um milagre e a vida consciente, um milagre maior ainda. o princípio antrópico postula que o universo foi criado da maneira que nós o percebemos e que é nossa consciência que seleciona uma realidade entre todas as probabilidades quânticas.

a teoria mais aceita para explicar a origem do universo , o big bang vale como indício de uma criação intencional e inteligente. uma explosão num ferro velho não faz com que pedaços de metal se juntem e formem um carro.

o que teria existido  antes do big bang? é impossível saber. quando stephen hawking fala de uma teoria completa que nos permitiria conhecer a mente de deus, está se referindo à busca principal da física iniciada ainda no século xx: um modelo que unifique a teoria da relatividade, que explica as galáxias, e a mecânica quântica, que descreve o mundo subatômico.

o conhecimento pertence àqueles que viverem nos dias que virão. se é que eles virão.

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