O corvo

fez-se então o ar mais denso, como cheio de um incenso
que trouxesse alvos anjos dando passos musicais.
“infeliz! por teu lamento roga a deus o esquecimento.”
disse a mim em pensamento: “deslembra a causa dos teus ais!
derrama logo este ópio em leonora e nos teus ais!”
disse o corvo: “nunca mais.”

“profeta!”, eu disse, “anjo mau! – profeta em ave e obra infernal! –
que o demônio ou a tormenta aqui lançou nos meus umbrais,
nesta casa e neste deserto, nesta terra, ainda desperto,
neste encanto escuro e incerto! dize a mim, pelos meus ais!
há um bálsamo do esquecimento? responde a mim, pelos meus ais!”
disse o corvo: “nunca mais”.

“profeta!”, eu disse, ” anjo mau! – profeta em ave e obra infernal! –
pelo deus que é de nós dois e descansa em sombras eternais
dize a esta alma atormentada se no paraíso que há além da morte
há de achar a antiga amada que hoje em sons celestiais
anjos chamam leonora, em meio a sons celestiais.”
disse o corvo: “nunca mais”.

mooncrow_0159

o corvo, edgard allan poe

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