mundo líquido

vivenciamos a passagem do mundo sólido para o líquido. o mundo sólido existiu até poucos anos: ideologia, base, norte, referencial, certeza, durabilidade, estabilidade, segurança. drummond tem um poema que retrata aquele antigo mundo sólido:

o mundo é mesmo de cimento armado.
certamente, se houvesse um cruzador louco,
fundeado na baía em frente da cidade,
a vida seria incerta… improvável…
mas nas águas tranquilas só há marinheiros fiéis.
como a esquadra é cordial!

marx, ao perceber a disputa capitalista afirmou que este campeonato teria o seu fim “ o que é sólido se desmancha no ar”. parecia-lhe impossível ao ser humano viver competindo de uma forma permanente. toda competição tem início e fim, um ganhador e um perdedor.

com o advento da internet sobre o mundo sólido, a competitividade se acirrou, ganhou força, velocidade, e empurrou o ser humano para dentro de uma roda viva. foi retirado o norte, o chão e o valor. este homem pós-moderno é arremessado para a competição selvagem, que é a base do mundo líquido: carreira, meta, competição, voracidade, velocidade, incerteza, medo, volatilidade, instabilidade, insegurança. foi-nos roubado o direito de pensar, meditar, refletir e avaliar. não há mais tempo para isto.

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